Mini aula para a equipe de Nutrição
Radiação
sem mistério.
O básico para trabalhar com segurança perto de quem faz exames de imagem e medicina nuclear.
Role para começarAntes de tudo
Tudo é feito de átomos.
A comida, a água, o nosso corpo. Para entender radiação, basta conhecer três partes do átomo.
Prótons
Ficam no núcleo, no centro. O número de prótons define o elemento: 53 prótons é sempre iodo.
Nêutrons
Também ficam no núcleo, junto com os prótons, e ajudam a mantê-lo unido.
Elétrons
Giram em volta do núcleo. São eles que a radiação ionizante arranca.
Se o átomo fosse do tamanho de um estádio de futebol, o núcleo seria uma formiga no meio do campo.
O iodo do sal de cozinha
Núcleo equilibrado, sem energia sobrando. Fica assim para sempre e não emite radiação.
Um átomo radioativo é só um átomo com o núcleo instável. Para se acalmar, ele libera energia: isso é a radiação.
O que é radiação
Energia viajando.
Radiação é energia que se propaga pelo espaço, como onda ou como partícula. A luz desta sala é radiação. O sinal do celular também.
Não ionizante
Aquece, ilumina e comunica. É o rádio, o celular, o micro-ondas e a luz do sol que enxergamos.
Ionizante
Tem energia para arrancar elétrons dos átomos. É a do raio X, da tomografia e da medicina nuclear.
Radiação ionizante
Por que ela pede cuidado.
Arranca elétrons
É isso que “ionizar” quer dizer: o átomo perde um elétron.
Pode lesar células
Em doses altas, danifica o DNA. O corpo conserta boa parte dos danos pequenos.
O risco depende da dose
Quanto, por quanto tempo e a que distância da fonte.
De onde vem a radiação
No hospital, ela vem de dois lugares.
Essa é a ideia mais importante da aula. Ela decide todos os cuidados.
O equipamento
Tomografia, raio X, mamografia, hemodinâmica.
A radiação só existe enquanto o aparelho está ligado.
O paciente
Medicina nuclear: o material radioativo vai para dentro do corpo.
O próprio paciente emite radiação por um tempo.
Fonte 1 · o equipamento
Desligou, acabou.
Na tomografia e no raio X, a radiação funciona como a luz de uma lanterna. Experimente.
Depois do exame, o paciente não fica radioativo: pode comer, receber visita e ser atendido normalmente.
O contraste iodado da tomografia também não é radioativo.
Fonte 2 · o paciente
Na medicina nuclear, o paciente vira a fonte.
1 · Recebe
O radiofármaco entra por injeção, cápsula ou bebida.
2 · Circula
O corpo leva o material até o órgão estudado ou tratado.
3 · Elimina
Sai radiação do corpo, e o material sai pela urina, fezes, suor e saliva.
Exemplo com meia-vida efetiva de 4,8 horas, típica de um exame com tecnécio-99m. Na terapia com iodo-131, o tempo passa a ser de dias.
Duas palavras que confundem
Exposição não é contaminação.
Exposição
Receber radiação de uma fonte que está fora de você. Afastou, parou. A pessoa exposta não passa a emitir nada.
Como o calor de uma fogueira: aquece, mas não gruda.
Contaminação
O material radioativo foi parar onde não devia: pele, roupa, bandeja ou dentro do corpo. Ele vai junto até ser lavado ou decair.
Como tinta fresca: gruda e vai junto.
Exposição se reduz com distância. Contaminação se evita com luvas, higiene e descarte certo.
Meia-vida física
A radiação diminui sozinha.
É o tempo para metade dos átomos radioativos se transformar. Depende só do material: nada que o corpo faça muda esse relógio.
no início
| Flúor-18 (PET) | ≈ 110 min |
| Tecnécio-99m | 6 horas |
| Iodo-131 | 8 dias |
Meia-vida biológica
O corpo também elimina.
É o tempo para o corpo eliminar metade da substância pelas vias naturais. Muda de pessoa para pessoa.
Urina
pelos rins
Fezes
pelo intestino
Suor
pela pele
Saliva
pela boca
Onde a Nutrição entra
Hidratação e intestino funcionando ajudam o corpo a eliminar o material mais rápido, sempre conforme a orientação da equipe médica.
Meia-vida efetiva
Os dois relógios juntos.
No corpo, o material decai e é eliminado ao mesmo tempo. Por isso a efetiva é sempre menor que as outras duas.
Meia-vida efetiva4,8 horas
Proteção no dia a dia
Tempo, distância, blindagem.
A distância é a mais poderosa. Arraste e veja a dose cair com o quadrado da distância.
Tempo
Fique perto só o necessário. Menos tempo, menos dose.
Distância
Dobrar a distância reduz a dose a um quarto. Entregue e se afaste.
Blindagem
Paredes e biombos de chumbo seguram a radiação. Respeite a sinalização.
Na dúvida, pergunte à Física Médica ou à radioproteção antes de entrar.
Teste rápido
Mito ou verdade?
Toque em cada frase para ver a resposta.
Quem fez tomografia sai radioativo.
Desligou o aparelho, acabou a radiação. O paciente pode receber a bandeja normalmente.
Alimento irradiado fica radioativo.
A irradiação de alimentos elimina micro-organismos e aumenta a validade, mas não deixa radioatividade no alimento. É exposição, não contaminação.
Todos nós recebemos radiação natural todos os dias.
Ela vem do solo, do ar, do espaço e até dos alimentos: a banana, por exemplo, tem potássio-40, um tipo natural de potássio radioativo.
Os restos da refeição do paciente de iodoterapia podem voltar para a copa normalmente.
A saliva leva iodo-131 para talheres, copos e restos de comida. Siga o protocolo do serviço para utensílios e descarte.
Conversar a dois metros é bem mais seguro do que a meio metro.
Pela lei do inverso do quadrado, a dose a 2 metros é 16 vezes menor do que a meio metro.
Uma colaboradora grávida deve avisar a chefia e a radioproteção.
Assim o serviço ajusta a rotina para que o bebê receba a menor dose possível.
Resumo
Para levar para casa.
Tomografia e raio X: desligou, acabou. O paciente não fica radioativo.
Medicina nuclear: o paciente é a fonte por um tempo. Siga as regras do quarto.
Exposição passa com distância. Contaminação gruda: luvas, higiene e descarte certo.
Meia-vida efetiva junta o relógio do material e o do corpo. Hidratação ajuda a eliminar.
Obrigado!
Perguntas?